CategoríaVerso

Contrapartida

C
Foto que ilustra el poema contrapartida

Sílvia C.S.P. Martinson

Alegre, seguistes o teu caminho
para mais uma aventura,
numa busca sem sentido
de prazeres e imediatismo.

Deixastes a alma abandonada
de sentimentos desprovida,
pensando ser somente, esta vida
uma estrada sem volta
e sem tempo para dar guarida
a um profundo amor,
que não hás entendido
e que de graça hás recebido.

Sentirás, eu sei, e lamento,
nada se passa sem a contrapartida,
a vida assim te expõe
à dor, à ausência, à despedida.

Pássaros

P
Imagen que ilustra un poema titulado pájaros

Sílvia C.S.P. Martinson

Voam livres sem destino
assim nos parece,
que eles teatinos,
independentes e felizes
seguem e cumprem
o seu destino.

Vêm ao mundo
para emplumados
andar pela terra,
voar pelos ares,
desfrutar do sol,
desfrutar dos mares,
embelezar as águas
e depois: voltar a seus lares
levando a vida aos seus pares.

Nós como eles, os pássaros,
devÍamos ser livres
para amar e ser felizes.

CALOR DA EMOÇÃO

C
Foto que ilustra un poema

Nety Maria Heleres Carrion

Só às paredes confesso Os sonhos e fantasias Embalados na mente

Rolam macios e quentes e se debruçam Nos patamares das ilusões Com previsões do tudo ou do nada

Voam além do infinito

Posso falar às paredes o tudo Que acontece no mundo Atraente desfile pelo palco Da memória Nascimento do poema Seus primeiros passos Evolando emoção e fantasia Corrida ao infinito com promessas De tudo que gera poesia

Diante do espetáculo Encenado pela mente A plateia Na passarela dos versos Aplaude o ator no calor Da emoção.

Voto consagrador

V
Foto que ilustra el poema voto consagrador

Nety Maria Heleres Carrion

 
Viver em estado de poesia
Sair do casulo hoje e sempre
Viver a poesia em seu esplendor
Extraí-la da memoria e permitir
Que a pena saboreie
Até o limite de seu tempo
Tatuar na folha branca
Um leque de fé
Na poesia que quer
Acenar às mentes sensíveis
E decididas
Alugar corpo mente espírito
Que eleva o ser num grau maior
Num dar e receber
Confidenciar obra concluída
E partir para o abraço
Num ritual poético
Que se perpetua pelos seculos

A poesia

A

Marinês Bonacina

O poeta escreve
a sua poesia...
Palavras, presas na garganta,
momentos, que não esquece
da chama de uma paixão,
pedaços de sonhos,
compõe, canta o amor e a saudade,
por serem fundamentais à poesia.
Chora, ás vezes, com o violão,
da dor faz jocosa realidade,
procurando transformá-la em alegria.
Por uma saudade, viva na memória.
Espera um momento de magia,
e, assim dá asas aos sonhos.
Alguém, que esteja na eternidade,
que ficou na sua história,
e preso na sua lembrança.

Trajetória feminina

T

Iaralice Lemos Ramos

Vá menina!
Solte tuas tranças,
Guarde tua criança.
Vá! solte os laços
Que te prendem
E vá em frente

Vá, moça , olhe pra frente;
a vida lá fora te espera...
Vai te mostrar grandes centros
Ruas e até vielas,
Em caminhos amargos e de pedras
Vais aprender a andar.

No lugar do chinelo calce
sapato mais belo que te embale um doce andar,
Aprenda se equilibrar,
Que no mundo, luz e sombra a vida vai te mostrar.
Mas não esqueça, menina, podes
Descer do salto na hora que precisar.
Vá menina!
Tire os brinquedos da bolsa,
Coloque ali, documentos, saberes e alguns certificados atraentes
Que a sociedade dos número sempre vai te cobrar.

Haa! Não esqueça o batom
Que pode ser o vermemelho
Ou a cor que desejar,.
.
Levante sua cabeça
Olhe o mundo de frente,
Dê as mãos à camaleoa
Que podes se transformar.

Mas não me tome distância,
Que o mundo fácil te alcança
E a imagem criança
Me deixa na esperaça dessa mulher
eu encontrar.

Estados da alma

E

Silvia C.S.P. Martinson

Días brilhantes.
Días presentes.
Como se o tempo
refletisse imutável,
a impermanência
da alma.
Tardes outonais.
Noites frias.
Estados da alma…
São os olhos
dos sentimentos,
que sentem
o que não vêm!
Noites outonais.
Tardes frias.
Estados da alma
que se angustia.
Sentir o que
não quería,
querer o que
não podia.
Inconfessáveis,
impossíveis desejos
a se refletirem
em tardes outonais
e em noites frias.
Era dia!
Havia luz e calor.
Só eu,
tão triste...
Não via!

O adeus à poesia

O

Antonia Nery Vanti (Vyrena)

 

Guardei a pena, fechei o caderno,
O verbo calou-se no peito silente.
O adeus chegou num suspiro terno,
Como outono que passa, docemente.

Já não me chamam rimas nem ventura,
Nem madrugadas bordadas de cor.
A poesia, antes chama tão pura,
Partiu-se em névoas, em sombras, em dor.

Fui sua casa, fui sua estrada,
Em mim morou, dançou, gritou, sorriu.
Agora vai, de alma alada,
Deixando um eco que nunca partiu.

Que fique aqui, singela despedida:
Meu último poema... é só mais vida.
Adeus, poesia — luz que me guia,
Mesmo ausente, és eterna em meu dia.

A passsageira

A

Cecilia Cardoso

O trem do tempo para na estação
e dele, desce uma passageira
com expressão feliz na face bonita.
Da multidão ouve-se uma pergunta:
- Então, fez boa viagem?
- Sim! Trago flores na bagagem,
folhas verdes, árvores floridas,
cantigas de pássaros,
o bater de asas de um beija-flor.
Trago a beleza das rosas em botão,
a pureza dos lírios,
o colorido das violetas,
e dos cravos vermelhos o amor,
do jasmim, a delicadeza.
Trago a brisa, o perfume de um jardim,
a festa da natureza.
Sou a primavera!
E como um sonho de criança,
Trago comigo a esperança.

O trem do tempo apita,
avisa que segue a viagem.
Na estação um passageiro sobe meio curvado,
com o andar envelhecido
e o semblante cansado,
carregando outro tipo de bagagem:
Leva um ar gelado,
o frio do dia, o branco da neve,
O som da ventania.
De dentro do trem ele acena um adeus
Ou talvez um “até breve!”.
É o inverno que se despede!

Num caminhar saltitante,
cercada de pássaros,
gorjeio nos ninhos,
perfumes e cores
a primavera segue seu caminho
por entre folhas verdes,
coloridos e flores!

Meus cabelos longos

M

Katia Chiapini

 

Os meus cabelos longos soltos ao vento
Já enfeitiçaram o meu jovem eleito
Agora, não crescem, eu até tento
Diminuíram de volume: não há jeito

Quando eu era jovem, o namorado
Não queria ver meus cabelos cortados
Nem os queria presos, nem atados
Queria vê-los, ora secos, ora molhados

Tive longas tranças qual Rapunzel
Usei coque artesanal, tal dama antiga
Ora bem escuro ou em tom de mel
Ter o cabelo longo, aquece e abriga

O amado tentava e me despenteava
Para fazer um arte ou travessura
Mas se o meu cabelo acariciava
Fazia-o com suavidade, com ternura

Dalila tirou a força de Sansão
Quando deixou curto o seu cabelo
Jesus Cristo o tinha em profusão
E a realeza o exibia com desvelo

E nos jogos amorosos, o "moleque"
Queria sentir meus cabelos em sua mão
E eu dengosa os espalhava em leque
Sobre o corpo do amado, em explosão