CategoríaVerso

Pense

P

Sandro Gonçalvez

Pense na vida como um sussurro fugaz,
Um rio que serpenteia por vales de paz,
Cada instante, uma gota de eternidade,
Cada suspiro, um eco de saudade.

Pense na luz que se filtra entre as folhas,
Refletindo memórias, desejos, escolhas,
No riso que ecoa por corredores serenos,
Uma melodia de encantos amenos.

Pense na verdade oculta em cada sombra,
No silêncio que em sua voz se assombra,
Na dúvida que abraça o pensador solitário,
E na certeza que escapa ao visionário.

Durma com sonhos, acorde com planos,
Pense na vida, no amor, nos desenganos,
Na esperança que brota ao alvorecer,
Nos planos que surgem com o entardecer.

Pense… Pense na jornada em busca do destino,
Na senda que conduz ao caminho divino,
Nos sonhos que forjam realidades ocultas,
Nos diálogos profundos que o tempo oculta.

Pense… Pense na vida como tecido delicado,
Entrelaçando alegrias e pranto guardado,
Cada fio, uma história de amor e redenção,
Cada ponto, um vislumbre da imensidão.

Pense, e ao pensar, abrace o mistério,
Aceite o caos, torne-o seu diário,
Pois viver é um ato de fé e ousadia,
Uma jornada de infinita sabedoria.

Contrapartida

C
Foto que ilustra el poema contrapartida

Sílvia C.S.P. Martinson

Alegre, seguistes o teu caminho
para mais uma aventura,
numa busca sem sentido
de prazeres e imediatismo.

Deixastes a alma abandonada
de sentimentos desprovida,
pensando ser somente, esta vida
uma estrada sem volta
e sem tempo para dar guarida
a um profundo amor,
que não hás entendido
e que de graça hás recebido.

Sentirás, eu sei, e lamento,
nada se passa sem a contrapartida,
a vida assim te expõe
à dor, à ausência, à despedida.

Pássaros

P
Imagen que ilustra un poema titulado pájaros

Sílvia C.S.P. Martinson

Voam livres sem destino
assim nos parece,
que eles teatinos,
independentes e felizes
seguem e cumprem
o seu destino.

Vêm ao mundo
para emplumados
andar pela terra,
voar pelos ares,
desfrutar do sol,
desfrutar dos mares,
embelezar as águas
e depois: voltar a seus lares
levando a vida aos seus pares.

Nós como eles, os pássaros,
devÍamos ser livres
para amar e ser felizes.

CALOR DA EMOÇÃO

C
Foto que ilustra un poema

Nety Maria Heleres Carrion

Só às paredes confesso Os sonhos e fantasias Embalados na mente

Rolam macios e quentes e se debruçam Nos patamares das ilusões Com previsões do tudo ou do nada

Voam além do infinito

Posso falar às paredes o tudo Que acontece no mundo Atraente desfile pelo palco Da memória Nascimento do poema Seus primeiros passos Evolando emoção e fantasia Corrida ao infinito com promessas De tudo que gera poesia

Diante do espetáculo Encenado pela mente A plateia Na passarela dos versos Aplaude o ator no calor Da emoção.

Voto consagrador

V
Foto que ilustra el poema voto consagrador

Nety Maria Heleres Carrion

 
Viver em estado de poesia
Sair do casulo hoje e sempre
Viver a poesia em seu esplendor
Extraí-la da memoria e permitir
Que a pena saboreie
Até o limite de seu tempo
Tatuar na folha branca
Um leque de fé
Na poesia que quer
Acenar às mentes sensíveis
E decididas
Alugar corpo mente espírito
Que eleva o ser num grau maior
Num dar e receber
Confidenciar obra concluída
E partir para o abraço
Num ritual poético
Que se perpetua pelos seculos

A poesia

A

Marinês Bonacina

O poeta escreve
a sua poesia...
Palavras, presas na garganta,
momentos, que não esquece
da chama de uma paixão,
pedaços de sonhos,
compõe, canta o amor e a saudade,
por serem fundamentais à poesia.
Chora, ás vezes, com o violão,
da dor faz jocosa realidade,
procurando transformá-la em alegria.
Por uma saudade, viva na memória.
Espera um momento de magia,
e, assim dá asas aos sonhos.
Alguém, que esteja na eternidade,
que ficou na sua história,
e preso na sua lembrança.

Trajetória feminina

T

Iaralice Lemos Ramos

Vá menina!
Solte tuas tranças,
Guarde tua criança.
Vá! solte os laços
Que te prendem
E vá em frente

Vá, moça , olhe pra frente;
a vida lá fora te espera...
Vai te mostrar grandes centros
Ruas e até vielas,
Em caminhos amargos e de pedras
Vais aprender a andar.

No lugar do chinelo calce
sapato mais belo que te embale um doce andar,
Aprenda se equilibrar,
Que no mundo, luz e sombra a vida vai te mostrar.
Mas não esqueça, menina, podes
Descer do salto na hora que precisar.
Vá menina!
Tire os brinquedos da bolsa,
Coloque ali, documentos, saberes e alguns certificados atraentes
Que a sociedade dos número sempre vai te cobrar.

Haa! Não esqueça o batom
Que pode ser o vermemelho
Ou a cor que desejar,.
.
Levante sua cabeça
Olhe o mundo de frente,
Dê as mãos à camaleoa
Que podes se transformar.

Mas não me tome distância,
Que o mundo fácil te alcança
E a imagem criança
Me deixa na esperaça dessa mulher
eu encontrar.

Estados da alma

E

Silvia C.S.P. Martinson

Días brilhantes.
Días presentes.
Como se o tempo
refletisse imutável,
a impermanência
da alma.
Tardes outonais.
Noites frias.
Estados da alma…
São os olhos
dos sentimentos,
que sentem
o que não vêm!
Noites outonais.
Tardes frias.
Estados da alma
que se angustia.
Sentir o que
não quería,
querer o que
não podia.
Inconfessáveis,
impossíveis desejos
a se refletirem
em tardes outonais
e em noites frias.
Era dia!
Havia luz e calor.
Só eu,
tão triste...
Não via!

O adeus à poesia

O

Antonia Nery Vanti (Vyrena)

 

Guardei a pena, fechei o caderno,
O verbo calou-se no peito silente.
O adeus chegou num suspiro terno,
Como outono que passa, docemente.

Já não me chamam rimas nem ventura,
Nem madrugadas bordadas de cor.
A poesia, antes chama tão pura,
Partiu-se em névoas, em sombras, em dor.

Fui sua casa, fui sua estrada,
Em mim morou, dançou, gritou, sorriu.
Agora vai, de alma alada,
Deixando um eco que nunca partiu.

Que fique aqui, singela despedida:
Meu último poema... é só mais vida.
Adeus, poesia — luz que me guia,
Mesmo ausente, és eterna em meu dia.

A passsageira

A

Cecilia Cardoso

O trem do tempo para na estação
e dele, desce uma passageira
com expressão feliz na face bonita.
Da multidão ouve-se uma pergunta:
- Então, fez boa viagem?
- Sim! Trago flores na bagagem,
folhas verdes, árvores floridas,
cantigas de pássaros,
o bater de asas de um beija-flor.
Trago a beleza das rosas em botão,
a pureza dos lírios,
o colorido das violetas,
e dos cravos vermelhos o amor,
do jasmim, a delicadeza.
Trago a brisa, o perfume de um jardim,
a festa da natureza.
Sou a primavera!
E como um sonho de criança,
Trago comigo a esperança.

O trem do tempo apita,
avisa que segue a viagem.
Na estação um passageiro sobe meio curvado,
com o andar envelhecido
e o semblante cansado,
carregando outro tipo de bagagem:
Leva um ar gelado,
o frio do dia, o branco da neve,
O som da ventania.
De dentro do trem ele acena um adeus
Ou talvez um “até breve!”.
É o inverno que se despede!

Num caminhar saltitante,
cercada de pássaros,
gorjeio nos ninhos,
perfumes e cores
a primavera segue seu caminho
por entre folhas verdes,
coloridos e flores!