CategoríaVerso

Lágrima

L

Lilian Rocha

Sonhei contigo
É como se o tempo
Não tivesse passado
Pude ver o teu sorriso
Até senti o teu cheiro
Era tanta saudade!
Não aguentei
Que até apneia tive
Acordei assustada
Soluço preso na garganta
A mão bem fechada
Parecia conter algo
Abri curiosa, lentamente
Uma gota
Levo à boca
Era salgada
Tua lágrima
Agora chora
Por meus olhos.

Coragem

C

Beatriz T. Balzan Barbisan

Cada manhã, acordo, abro cadeados e liberto a esperança amordaçada que mantenho algemada. Dispo hábitos antigos que não agasalham mais. Visto novos sonhos que alimento com a fé. Munida de esperança, embarco no otimismo. E vou à luta. Glorifico ao criador! Se, tropeço em meus passos renovo-me com abraços de otimismo protetor. Cada dia que avança, leva meu passado embora e eu renovo a esperança por mais vinte quatro horas.

 

O passado

O

María da Gloria Jesús de Oliveira

Já fui jovem e mãos de fada tive, pele sedosa com brilho e altivez. Percebo, agora, que nem tudo vive e que o tempo tirou-me a robustez. Luneta em punho, feito detetive, e buscando nas sendas um talvez, sei que jamais uma certeza obtive: de ver nascer o que era apenas indez. Desisto do que sei ser impossível, aceito as tatuagens que me cobrem, riscando o que já foi tecido liso. Apenas em meus olhos é rizível encontrar os resquícios da jovem, quando mostro a alegria em farto riso.

Metamorfose das emoções

M

Sandro Gonçalves da Silva

No tropeço das dúvidas, descubro minha força.
Entre o medo e o sonho, a vida me esculpe.
Cada verso ilumina, cada dor ensina,
 
O que pesa no peito, a poesia suaviza e afina.
Na fronteira sutil entre caos e clareza,
Faço da lágrima, ponte para a leveza.
O sentir que desafia, também me renova,
E na dança das palavras, minha alma se transforma.
 
Leve é quem carrega o mundo sem se curvar,
Na leveza da mente, encontra-se o lugar.
Porque ser leve não é ausência de peso,
É saber flutuar com graça, mesmo em meio ao medo.

Sensivel

S

Silvia C.S.P. Martinson

Sensivel é o teu olhar
quando me olhas a saudar,
nele vejo mil promessas,
nele sinto histórias a ocultar.
Não dizes palavras e calas
teus sentimentos como terras
que eu deva desbravar.
E de tesouros e ouro escondidos
são teu sentir e desejos,
que neles pressinto e vejo
a me esconderes, tu, os tens
como precaução, de que te machuque, eu.
Todavia, não compreendes,
não confias que meu amor,
sensível e derradeiro,
possa ainda ser,
tão grande, igual ou maior,
muito maior, que o teu.

 

O relógio

O

Silvia C.S.P. Martinson

 
Escrevo sem a pressa
porque te deixas dominar,
enquanto olho a paisagem,
os pássaros, as ondas, o mar
tu segues a caminhar
pendente do tempo que calculas
para o trajeto acabar.
A escrever te descrevo, te falo
dele de quem és perene escravo,
êle marca e determina para ti, sobretudo
em cada minuto ou hora,
quando tudo começa,
quando, ao teu sabor,
tudo, enfim, deve se acabar.
E ao teu lado sigo
pensando e rezando,
por querer-te tanto,
que ao meu lado sigas
esquecido do maldito,
num desvão, em um canto,
este relógio, mau amigo
dele, o proscrito!

Exaltação

E

Silvia C.S.P. Martinson

 
Mil cores a água cristalina espelha
nas ondas a espraiarem-se.
É o Sol que nos brinda
no céu azul deste dia.
A alma alegre exulta
e na beleza intensa se extasia,
se funde em tudo e nessa magia
voa com os pássaros e em alegria
ao infinito se alça e paira...
Despede-se do que a angústia,
vibra, dança, canta e em hosanas,
o pão nosso agradece, à Vida.

Despedida do poeta

D

Silvia C.S.P. Martinson

 
Quando desta vida partiu,
não deixou saudades,
nem alegrias não resolvidas.
Dos sonhos, quimeras perdida,
das ilusões, amores, almas partidas,
dos dias gloriosos e ensolarados
e das Estações se apropriou!
Das diuturnas, matinais explosões de cores,
as luzes e sombras consigo guardou!
Apoderou-se da palavra,
do som, do veso, da expressão
da arte, da maestria e do amor...
E, a tudo tomou, escondeu, surrupiou!
Deixou-nos o corpo, o Poeta,
pálido, exangue, sem vida!...
E a alma? A alma furtou-nos,
sorrateiro, levando em seu âmago
a verve, a luz, o brilhantismo,
a alegria, o amor, a fidalguia
e também, dolorosamente: levou a a Poesia.
A nós? Nenhum sorriso ou olhar!
Nenhum só! ... Na partida. Na despedida!

Miragens

M

Silvia C.S.P. Martinson

 
No silêncio da noite
quando minha voz já não ouves,
imagina que em estrelas,
tu, me encontres
a olhar-te de longe,
a sonhar mil amores,
a viajar nos ardores,
enlaçada em teus braços fortes.
Caminharemos na noite
qual pássaros, qual Fênix
trocaremos de plumas
e abraçados amantes
no infinito distante
felizes, enfim,
nos perderemos.

Te amarei

T

Sílvia C.S.P. Martinson

Te amarei como as noites que são eternas.
Te amarei como o canto dos passarinhos em seu ninho.
Te amarei se supostamente me permites
em todos os dias de minha vida.
Te amarei como o sol quando amanhece,
inundando a escuridão, iluminando a vida.
Te amarei sobretudo quando me olhas
e de teu doce olhar, que me seduz,
me vás conduzir devagarinho
aos céus, ao infinito.
E levarei comigo toda luz,
toda a vida que hás mudado na caminhada
de minha peregrinação então ocorrida.
Caminharei ao teu lado sem mais sofrimento.
Andarei sem pressa...
Caminharei feliz, contente,
andando passo a passo
ao encontro de teu amor,
ao encontro de ti...Minha vida!