Autor/aSilvia Cristina Preissler Martinson

Nasceu em Porto Alegre, é advogada e reside atualmente no El Campello (Alicante, Espanha). Já publicou suas poesias em coletâneas: VOZES DO PARTENON LITERÁRIO lV (Editora Revolução Cultural Porto Alegre, 2012), publicação oficial da Sociedade Partenon Literário, associação a que pertence, em ESCRITOS IV, publicação oficial da Academia de Letras de Porto Alegre em parceria com o Clube Literário Jardim Ipiranga (coletânea) que reúne diversos autores; Escritos IV ( Edicões Caravela Porto Alegre, 2011); Escritos 5 (Editora IPSDP, 2013) y en español Versos en el Aire (Editora Diversidad Literaria, 2022) Participou de concursos nacionais de contos, bem como do GRUPO DE ARTISTAS E ESCRITORES DO GUARUJA — SP, onde teve seus poemas publicados na coletânea ARAUTOS DO ATLANTICO em encontros Culturais do Guarujá.

O aniversàrio de Vitor

O

Silvia C.S.P. Martinson

Esta data era sempre muito esperada por todos os amigos. Vitor era o mais velho de dois irmãos e também o mais ativo e desembaraçado dos dois meninos. O que vamos contar se passou quando ele estava a completar 10 anos de idade. Os pais de Vitor eram amigos de meus pais, que, também, eram vizinhos e amigos da avó materna dele. Eles viviam em uma bela casa grande e confortável em um bairro próximo ao em que nós morávamos. A educação que recebíamos à época difere totalmente da que é dada às crianças hoje, pelo menos em nossas famílias. Devia-se ao chegar à casa dos anfitriões, da festa, bem vestidos e muito recomendados à educadamente cumprimentar os pais do aniversariante e a este sem dúvida. Não deveríamos sentar à mesa sem sermos convidados desde que autorizados por nossos pais. Eu sempre fui muito alta e aparentava, consequentemente, mais idade do que tinha em realidade. Nesta época com 10 anos eu tinha a aparência de ter 15 ou 16 . A dona da casa, mãe de Vitor, era exímia cozinheira e acima de tudo costumava fazer doces inigualáveis, tanto em sabor quanto em beleza. Lembro ainda que a mesa da sala de jantar estava coberta de doces e salgados que apeteciam prova-los, afora que ao centro dela se encontrava um enorme bolo de aniversário belissimamente decorado, que aos nossos olhos de crianças era uma verdadeira tentação. Os adultos foram acomodados em outro setor da casa onde lhes foram servidos bebidas e alguns petiscos antes da mesa dedicada à comida dos mais velhos, o que se daria mais tarde. As crianças eram servidas mais cedo junto ao aniversariante, para que cantassem o Parabéns a Você e ele apagasse as velinhas que então acesas no bolo estavam em número exato dos anos que cumpria Vitor. E foi o que aconteceu.
A mãe de Vitor chamou para compor a mesa todas as crianças convidadas, quando chegou a minha vez ela simplesmente me disse que como eu era já uma jovem deveria aguardar para sentar-me a mesa com os adultos.
Assim que deu-me uma cadeira para sentar-me e ali ficar esperando. As crianças alegremente sentaram-se não antes de saudar o aniversariante e após o que “atacaram”, este é o termo correto, literalmente as guloseimas que ali estavam postas. O tempo passou e eu estava cada vez com mais vontade de comer, porém a minha educação à época não permitia, sob hipótese nenhuma, atrever-me a solicitar alguma coisa. Mais tarde os adultos foram convidados a acercar-se da mesa que estava novamente coberta das mais diferentes e apetitosas guloseimas.
Todavia algo para mim inesperado se passou: a dona da casa se esqueceu do que me havia dito e não me convidou a passar à mesa dos adultos.
Então, discretamente, acerquei-me a minha mãe que já estava comendo e bebendo e lhe pedi um pedaço do lindo bolo que ela comia. Ela simplesmente respondeu-me olhando-me seriamente: - Já não comestes? E sem esperar a minha resposta disse: - Vai sentar-te com as crianças que ali é o teu lugar e não importunes a nós ou a dona da casa com a tua falta de educação! Retirei-me como me havia mandado com muita vergonha e muita fome também. Voltamos para nossa casa já noite cerrada e eu com raiva só chorava ao que minha mãe àquela hora não quis saber o porquê. Fui dormir com fome. Quando no dia seguinte lhe contei o que se passara ela me proibiu contar à mãe de Vitor ou a ele o que ocorrera. Até hoje guardo na memória aquela linda mesa coberta de doces com as guloseimas que me apeteciam e apetecem tanto.

Lembranças

L

Silvia C.S.P. Martinson

 

Enquanto estava ela sentada em um dos quatro cantos que havia imaginado para interiorizar-se e fugir do mundo real que a cercava, começou a recordar fatos ocorridos em seu passado.

Lembrou-se de uma casa que seus pais haviam alugado em um bairro, que não aquele em que, posteriormente, praticamente, viveu quase toda sua infância e juventude.
Esta moradia era uma casa de madeira simples, porém localizada em uma rua tranquila que também tinha, nela, um grande quintal onde passava horas ali a brincar e a sonhar, como sempre, com seus amigos imaginários.

Tinha ela então 4 ou 5 anos de idade.
Sentada na terra do quintal gostava de observar as formigas trabalhando em grandes carreiros a conduzir pedacinhos de verduras para dentro de seus ninhos. Imaginava que aloi estavam com seus filhotes à alimentá-los, como fazia sua mãe quando recolhia a ela e a seus irmãos na hora de comer. Lhe encantava vê-las trabalhar, muito mais quando carregavam folhas bem maiores do que elas próprias.
Seu pensamento retrocedeu também a um fato ocorrido naquela época com seu irmão mais novo, chamava-se ele Gustavo que tinha então 4 anos.

Ele foi à casa de uma vizinha amiga para brincar com a filha dela por quem ele tinha especial afeição.

Os dois brincaram bastante e quando ele retornou à sua casa foi prontamente para debaixo do assoalho, uma vez que a moradia se distanciava do solo e ali, naquele espaço, haviam muitos utensílios guardados.

Ela lembrou ainda de que a mãe os chamou para jantar aos que os dois prontamente atenderam , uma vez que ela não permitia que suas ordens não fossem cumpridas imediatamente.

Após a janta ambos foram para seus quartos para prepararem-se para dormir.
Naquela época as crianças iam cedo para a cama sem maiores resmungos ou aborrecimentos.

No dia seguinte a mãe da menina tocou a campainha da casa chamando pela mãe de Gustavo, pois tinha que com ela conversar.
As duas encontraram-se no portão de entrada, todavia a outra senhora não quis entrar apesar de ser convidada ee com alguma brusquidão relatou a mãe de Gustavo que ele havia roubado de sua filha uma pulseira de ouro.

A mãe deste estarrecida chamou-o e o inquiriu sobre o que havia feito. Ele concordou com o fato de ter ficado com a pulseira, todavia arguiu que a menina lhe havia ofertado, contou ainda que havia guardado a jóia debaixo do porão em uma caixinha de madeira onde guardava as moedas que recebia de presente em seu aniversário.

Ante tal fato a mãe envergonhada fê-lo buscar a caixa e devolver à vizinha a tal pulseira.
Enquanto lembrava do fato ocorrido, ela, recordou ainda que até a data em que ali residiram, nunca mais foi permitido a estas duas crianças, Gustavo e sua amiguinha, brincarem juntos. Os pais de ambos passaram, a se ignorar mutuamente.

A Gustavo, hoje um homem de respeito e joalheiro famoso, os objetos coloridos e brilhantes sempre lhe chamaram a atenção.
Não tinha ele noção à época do valor exato das coisas, apesar de ser ensinado em sua casa que não deveria nunca pegar algo que não lhe pertencesse.

Realmente ele era muito inocente.

Sensivel

S

Silvia C.S.P. Martinson

Sensivel é o teu olhar
quando me olhas a saudar,
nele vejo mil promessas,
nele sinto histórias a ocultar.
Não dizes palavras e calas
teus sentimentos como terras
que eu deva desbravar.
E de tesouros e ouro escondidos
são teu sentir e desejos,
que neles pressinto e vejo
a me esconderes, tu, os tens
como precaução, de que te machuque, eu.
Todavia, não compreendes,
não confias que meu amor,
sensível e derradeiro,
possa ainda ser,
tão grande, igual ou maior,
muito maior, que o teu.

 

O vigarista

O

Silvia C.S.P. Martinson

 

Havia um ruído intenso. Quase não se podia ouvir o que ele falava. Porém, continuava a fazê-lo sem parar.

O homem não tinha vergonha; pensava-se jovem, apesar dos 78 anos que tinha. Foi casado várias vezes, cinco para ser mais exato. Culpa as mulheres por suas separações. Em sua opinião, todas têm algum defeito: ou físico, intelectual ou moral. Impressionante.

Está bem fisicamente, apesar de não ser um homem atrativo, porque é baixo e de certa forma feio. Relativamente, tem algum charme: é simpático. É europeu, fala bem em francês e espanhol. Como companhia de beira de praia para um bate-papo, é até interessante.

Para seus amigos ricos é especialmente prestativo. Sim, para seus amigos ricos. Em verdade, é o que mais lhe agrada, ou seja, ter amigos e mulheres muito ricas com as quais possa conviver e partilhar de suas festas e ambientes requintados. Aparentemente, é uma pessoa simples e, é claro, quando expõe sua situação financeira, todavia, entre suas palavras e ações, denotam-se verdadeiramente suas intenções.

Aos amigos que estão na mesma situação que ele, quando não tem ninguém, aproxima-se para encobrir sua solidão. No entanto, a estes negligencia na primeira oportunidade quando surge alguém mais aquinhoado. A vida também, às vezes, prega suas peças. E assim se passou.

Por um chat de internet, aonde procura conhecer pessoas normalmente para travar relações pessoais, conheceu uma mulher latino-americana que parecia bem colocada financeiramente. Bonita, de alta estatura e relativamente jovem para ele. A diferença de idade entre os dois se aproximava em 20 anos a mais para ele.

Foi visitá-la em sua cidade, hospedaram-se em um hotel e lá mantiveram relações sexuais que lhe pareceram bastante satisfatórias. Convidou-a para passar uns dias em sua casa na praia.

Ela veio. Chegou toda charmosa, encontrou-o na estação, ele fora buscá-la como costuma acontecer com homens educados. A senhora pensou então que encontrara o homem de sua vida, aquele que haveria de satisfazê-la em todas as suas expectativas, que eram: casar-se com um europeu para obter a cidadania europeia, um homem mais velho que pudesse dominar, rico e proprietário de bens materiais que fizesse com que a vida lhe fosse cheia de regalias e sem problemas com que se preocupar.

Ledo engano. Quando constatou a dura realidade, quando não teve acesso aos restaurantes que pretendia, quando viu que o apartamento em que ele vivia era alugado e que a comida era feita em casa e escassa, pensou em como se descartar da situação criada.

Urdiu então e executou com frieza, calculadamente, seu plano. Começou bebendo todas as cervejas que ele tinha armazenado em sua casa, mais ou menos umas quinze. Depois delas, dormiu toda a noite em sua cama, ocupando o lugar dele inclusive.

No outro dia, foram à praia e depois almoçar em um restaurante simples, onde tomou novamente umas oito ou nove cervejas sem, no entanto, se tornar embriagada. Ante o que via, ele se tornou cada vez mais aborrecido e frustrado em seus desejos de grandeza.

Surtiu efeito o plano dela. Ao final do fim de semana, ela se despediu e lhe disse:

"Adeus, amor! Simplesmente não combinamos em nossos gostos. Eu gosto de Champanhe francês e você? De água. Sinto!"

O relógio

O

Silvia C.S.P. Martinson

 
Escrevo sem a pressa
porque te deixas dominar,
enquanto olho a paisagem,
os pássaros, as ondas, o mar
tu segues a caminhar
pendente do tempo que calculas
para o trajeto acabar.
A escrever te descrevo, te falo
dele de quem és perene escravo,
êle marca e determina para ti, sobretudo
em cada minuto ou hora,
quando tudo começa,
quando, ao teu sabor,
tudo, enfim, deve se acabar.
E ao teu lado sigo
pensando e rezando,
por querer-te tanto,
que ao meu lado sigas
esquecido do maldito,
num desvão, em um canto,
este relógio, mau amigo
dele, o proscrito!

Exaltação

E

Silvia C.S.P. Martinson

 
Mil cores a água cristalina espelha
nas ondas a espraiarem-se.
É o Sol que nos brinda
no céu azul deste dia.
A alma alegre exulta
e na beleza intensa se extasia,
se funde em tudo e nessa magia
voa com os pássaros e em alegria
ao infinito se alça e paira...
Despede-se do que a angústia,
vibra, dança, canta e em hosanas,
o pão nosso agradece, à Vida.

Despedida do poeta

D

Silvia C.S.P. Martinson

 
Quando desta vida partiu,
não deixou saudades,
nem alegrias não resolvidas.
Dos sonhos, quimeras perdida,
das ilusões, amores, almas partidas,
dos dias gloriosos e ensolarados
e das Estações se apropriou!
Das diuturnas, matinais explosões de cores,
as luzes e sombras consigo guardou!
Apoderou-se da palavra,
do som, do veso, da expressão
da arte, da maestria e do amor...
E, a tudo tomou, escondeu, surrupiou!
Deixou-nos o corpo, o Poeta,
pálido, exangue, sem vida!...
E a alma? A alma furtou-nos,
sorrateiro, levando em seu âmago
a verve, a luz, o brilhantismo,
a alegria, o amor, a fidalguia
e também, dolorosamente: levou a a Poesia.
A nós? Nenhum sorriso ou olhar!
Nenhum só! ... Na partida. Na despedida!

Distraídas

D

Silvia C.S.P. Martinson

A rua estava repleta de pessoas que caminhavam apressadamente umas, outras, no entanto, mais devagar. Estas últimas iam a seu passo, apreciando as vitrines das lojas que já se encontravam abertas.
 
Era a semana que antecede o Natal. As lojas em sua grande maioria estavam com suas vitrines cheias de sugestões bonitas a fim de que as pessoas se interessassem de comprar algum objeto, ou roupas, ou brinquedos para ofertar, como presentes, aos seus queridos na noite de Natal. Costume este tão comum em certos países.
 
Os três caminhavam na mesma calçada, cada um a seu ritmo. André mediava os 65 anos e ia andando com certa pressa, ao mesmo tempo em que atendia, em seu celular, uma chamada de seu neto, o qual lhe recomendava comprar a ele uma bicicleta que havia visto em uma determinada loja e que lhe agradara muitíssimo, acima de tudo uma vez que a mesma preenchia sobremaneira às suas expectativas e necessidades para quando se deslocasse à universidade em que estudava.
Ela, Lidia, deslocava-se tranquilamente, olhando as pessoas que passavam ao mesmo tempo em que se recordava de fatos ocorridos em seu passado. Um desses fatos a fez lembrar-se de que aos 20 anos, agora com 65, se apaixonara por um jovem e ele por ela. Este se chamava André. Estavam ambos já na universidade, cursavam distintas matérias uma vez que ele pretendia ser advogado e ela médica.
 
Lembrou ainda que ao final do curso de cada um, ambos, se separaram. Cada qual seguiu seus objetivos em especializar-se em cursos de pós-graduação em outras universidades.
Eventualmente se encontraram, todavia a vida, os compromissos e outros interesses acabaram por separá-los.
 
Mais atrás e em sentido contrário vinha pela mesma calçada um homem de idade mais avançada, apoiava-se em uma bengala, haja vista que o peso dos anos já se lhe faziam sentir mais fraco, trôpego, sem a higidez da juventude.
 
Chamava-se Francisco este velho homem que caminhava lentamente. Havia sido professor na universidade.
 
Ao olhar aquelas duas criaturas que vinham tão distraídos e ensimesmados, recordou-se imediatamente de seus alunos André e Lidia aos quais ele sempre olhava com certa inveja face a juventude e beleza que ambos tinham àquela época.
 
Notou ainda que, ainda assim, os dois apesar da idade mantinham traços de beleza que o tempo não lhes roubou.
 
Francisco observou que ambos andavam sem separado, não como antes na universidade quando então enamorados caminhavam de mãos dadas e seguidamente os via, pelas esquinas, abraçados a beijar-se.
Francisco tentou chamar-lhes naquele momento. Lidia olhava distraída uma vitrine de uma loja de roupas. André estava ocupado atendendo sua chamada no celular, completamente absorto.
 
André e Lidia simplesmente não se haviam dado conta da presença de um ou outro naquela rua.
 
Francisco emocionado ante tantas lembranças tentou uma vez mais chamar a atenção de seus ex-alunos, no entanto a voz se lhe tornou embargada, os olhos se lhe encheram de lágrimas. Uma forte dor no peito fez com que se acomodasse em um banco que havia na calçada.
 
Francisco ali adormeceu para sempre enquanto as pessoas, cada uma, seguiam seus caminhos, seus destinos pelas estradas da vida, total e absolutamente distraídas.

Miragens

M

Silvia C.S.P. Martinson

 
No silêncio da noite
quando minha voz já não ouves,
imagina que em estrelas,
tu, me encontres
a olhar-te de longe,
a sonhar mil amores,
a viajar nos ardores,
enlaçada em teus braços fortes.
Caminharemos na noite
qual pássaros, qual Fênix
trocaremos de plumas
e abraçados amantes
no infinito distante
felizes, enfim,
nos perderemos.

O encontro

O

Silvia C.S.P. Martinson

 

Ela caminhava depressa.

Tanto quanto podía. Queria correr, todavia as pernas e os pés não lhe permitiam.

As ruas estavam atulhadas de pessoas que iam e vinham despreocupadas.

A tarde já se encontrava a meio caminho para a noite, lançando o sol sobre o horizonte seus últimos raios luminosos, colorindo o céu de cores amarelas-avermelhadas.

Enquanto caminhava ela ia pensando em como se daria este encontro.

Tantas coisas haviam passado, o tempo, a vida, fizeram com que fatos importantes fossem aos poucos esquecidos.

Lembrou-se de quando se haviam conhecido. Ela caminhava a beira do mar em uma manhã calma, quando as ondas se derramavam languidamente na praia.Neste momento apreciava somente a natureza sem se dar conta  dos percalços do caminho. Foi então que em um desvão da calçada tropeçou e já se ia ao solo quando mãos poderosas lhe seguraram pelos braços.

Estas mãos que lhe ampararam de um maior dano, caso se houvesse estatelado ao solo, foram as mesmas que muitos séculos atrás lhe socorreram no mesmo sentido em situações idênticas.

Então naquele momento a empatia que havia de antemão se fez notar novamente. Porém ambos não se deram conta, o passado havia se apagado momentaneamente de suas vidas.

Todavia este acontecimento proporcionou que ambos começassem a entabular uma conversa.

Desta conversa surgiu descobrirem que faziam aquele percurso todos os dias pela manhã.

De cada encontro todas as manhãs em horas previamente agendadas caminhavam, os dois, a beira-mar enquanto trocavam idéias sobre os mais variados assuntos, verificando que estas (idéias) eram muito semelhantes em seus pontos de vista de como viver e proceder diante das situações apresentadas fossem elas de fácil ou difícil resolução.

Assim que o tempo foi passando e as afinidades entre os dois cada vez mais se consolidaram.

Ficaram os dois bem velhinhos, passaram a se querer cada vez mais, cada um a respeitar a liberdade do outro e a compreender as diferentes manifestações de suas personalidades inerentes a cada um devido às vivências e experiências sofridas naquela vida.

E caminhando ao encontro dele, na praia, ela recordou ainda que: o amor entre os dois, por consequência, também foi inevitável, intenso, especialmente lindo e sincero acima de tudo.

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