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Anoitecer

A

Silvia C.S.P. Martinson

 
Na tarde cinzenta que faz agora, é quando as pessoas estão pelas ruas caminhando. Há uma luz que reflete em cada olhar. E ao ver passar tanta alegria, a tristeza se afasta.
E nos corpos, tudo se torna paz e harmonia.
Os homens se preocupam, as crianças se esquecem de brincar com seus jogos preferidos para correr pelas ruas solitárias.
 
Assim é. Assim passa.
Mais um dia na vida.
 
Como o tempo, que pelos caminhos, onde os homens nem imaginam, terminará sua vida, com tão pequenas alegrias e tão grandes preocupações sem importância; na verdade, sem aproveitar a beleza de viver todos os dias, de sorrir, de amar e de ser feliz.

Adolescentes do subúrbio nos anos 60

A

Pedro Rivera Jaro

Traduzido para o português por Silvia Cristina Preissler

Aqueles garotos saíam aos domingos, depois do almoço, e se reuniam nos pontos que conheciam e frequentavam nos dias úteis. Por exemplo, em um bar da rua Antonio Salvador, cujo nome não recordo, mas que eles chamavam de El Orejas (Orelhas), aludindo às grandes orelhas do dono. Hoje, sessenta anos depois, esse lugar se tornou um restaurante chinês, como tantos outros negócios no bairro de Usera.

Uma vez reunidos ali, decidiram que iriam “caçar maricões”. Para isso, usavam o Susi, que era um garoto do grupo, loirinho e bonito. Juan Luis el Narices (o Narizudo), el Salao (o Engraçado), Armando e el Coqui (o Coquinho), todos eles habituados a brigas de rua, utilizavam Susi como isca para atrair homossexuais. Naquela época, os homossexuais eram discriminados e perseguidos por sua orientação sexual, e por isso precisavam ser muito discretos ao procurar parceiros.

Na rua Concepción Jerónima, perto de Conde de Romanones, havia um local chamado El Toro Negro (O Touro Negro), frequentado por homossexuais, onde Susi lançava a sua rede para atrair vítimas. Quando Susi começava uma conversa com algum homossexual, o levava para algum lugar escondido, perto do rio. Quando a vítima já estava esperando por um momento de intimidade com Susi, de repente, os outros rapazes apareciam e roubavam tudo o que fosse de valor: dinheiro, pulseiras de ouro ou prata, relógios, anéis, etc.

Contudo, em uma ocasião, enquanto isolavam uma vítima, esta resistiu bravamente e se recusou a ser roubada. Os garotos avançaram para espancá-lo, mas o homem era um praticante experiente de jiu-jitsu. Com golpes habilidosos, ele usou as mãos para atingir pescoços e costelas dos agressores, causando dor e danos.

Os adolescentes acabaram fugindo para evitar mais castigo. Quando contavam a história no bairro, todos riam muito da situação.

Esses comportamentos criminosos eram um dos motivos pelos quais eu não queria andar com eles, apesar de serem conhecidos do bairro. Nunca gostei de abusos contra outras pessoas, principalmente pelo simples fato de serem diferentes.

Naquela época, gostávamos de dançar e queríamos entrar nos salões de dança, mas, como tínhamos apenas 14 ou 15 anos, não nos era permitido. Por isso, quando soubemos de um grande salão de dança em Getafe que deixava jovens da nossa idade entrarem, decidimos ir para lá.

Getafe, hoje uma cidade importante a cerca de 12 quilômetros de Madri, rumo a Toledo, era então um vilarejo em crescimento, como a maioria ao redor da capital. Depois de tantos anos, não tenho certeza, mas acredito que o nome do salão de dança era Emperador (Imperador). Pegamos um ônibus da empresa Adeva até lá, e, de fato, nos deixaram entrar sem questionar nossa idade.

Passamos a tarde dançando. Quando saímos para pegar o ônibus de volta, dois dos membros do grupo decidiram tentar ligar uma motocicleta estacionada na rua. Conseguiram fazê-la funcionar e voltaram a Madri montados nela, enquanto o resto de nós voltamos de ônibus, como havíamos ido.

Já em Madri, nos encontramos nos bilhares da rua Almendrales, em frente ao cinema Lux de Usera. Um dos dois que haviam roubado a moto se ofereceu para me levar até em casa. Embora preferisse ir de ônibus, não quis rejeitar a oferta para não ofendê-lo.

Subi na moto atrás dele, e ele me levou até o meu bairro. Aquele trajeto em uma moto roubada gerou problemas em casa quando minha mãe soube do ocorrido. Como consequência, meu pai me proibiu de andar com aqueles garotos, que eram jovens delinquentes e viviam completamente fora do controle familiar. Era uma vida que meu pai não queria nem para mim, nem para nenhum de seus filhos.

O valente

O

Silvia C.S.P. Martinson

Havia um homem que conheci há muitos anos. Ele era uma pessoa alegre, inteligente, perspicaz e muito observador. Já era velho. Teve durante sua vida muitíssimas experiências.
 
Apesar da velhice ainda apresentava boa aparência o que fazia com que se tornasse, de alguma forma, atrativo às mulheres. E realmente eram elas o que mais lhe atraia e chamava à atenção.Chamava-se João.
 
Supostamente João era um nome muito comum àquela época, haja vista que o rei de então também tinha este nome, só que com uma grande diferença: o nosso João não era rei e também não pretendia sê-lo apesar de saber gerir muito bem suas economias contas. Ele vivia na Espanha.
 
João fora casado muitas vezes face a sua inevitável predileção pelas mulheres, o que fazia com que não se fixasse por muito tempo com nenhuma.
 
Pois bem, a nossa história começa com João, todavia não termina com ele.
Em uma caminhada pela manhã ele me narrou, entre rizadas, uma história, dentre as muitas que se passaram em sua vida que me pareceu hilária e que vou contar agora nestas poucas linhas.
 
João foi um alto executivo de uma empresa e como exerceu cargo de chefia tinha contato com os demais empregados. Contato este que lhe permitia, inclusive, a ouvir seus telefonemas, podemos dizer, mais íntimos.
 
Então João contou-me que um funcionário seu recebia diariamente, no escritório, ligações de sua mulher que estava em casa e a qual costumava dar-lhe ordens e também admoestá-lo por telefone. Este homem chamava-se André.
 
Quando o telefone tocava para André e ele verificava que era de sua esposa, baixava a cabeça e mantinha-se calado e com uma expressão de aquiescência. Sacudia os membros superiores como se estivesse concordando com tudo o que ela lhe dizia.
 
No escritório todos já estavam acostumados com sua maneira servil de atender às ordens de sua mulher e entre si trocavam olhares de mofa e sorrisos disfarçados.
 
No entanto ao terminar a ligação André se transformava, virava outro homem e para que todos ouvissem dizia em alto e bom som , como se ainda estivesse a falar com ela, apesar de já não haver ninguém na linha, o seguinte:
 
- Ana (Ana era o nome dela) tu sabes que quem manda em nossa casa sou eu!
Cala-te! Não me molestes ou sequer me contraries!
Mulher incomoda e imprudente!
Não vês que estou no trabalho e não posso estar à tua disposição infeliz criatura?
Quando eu chegar em casa vou te castigar como mereces!
Corto agora a ligação, tenho que trabalhar!
 
João contou-me, entre risadas, que no escritório após esta cena cômica e que se passava quase diariamente, os homens ironicamente e sarcasticamente batiam palmas a André, elogiando, entre risos, o quanto valente ele era.
 
Sim, em verdade muito valente quando o telefone já estava desligado.

Pedrinho e Marlene

P

Alvaro de Almeida Leão

 
Pedrinho é um comerciante de porte médio em uma pequena cidade do interior, onde todo mundo conhece todo mundo.
 
Ao namorar Marlene – secretária executiva na empresa em que o pai dela é proprietário - Pedrinho encontrou o seu verdadeiro amor. Que casal simpático e promissor.
 
Para extravasar todo seu sentimento, Pedrinho passa a ostentar no vidro detrás de seu automóvel, o quanta a ama:
- ACHO QUE EU SOU A ALMA GÊMEA DA MARLENE –
 
Bela forma original de expressar tão puro amor. Marlene, envaidecida responde ao colocar dizeres em seu carro:
 
- EU NÃO ACHO. TENHO ABSOLUTA CERTEZA –
 
Em seguida, as atenções se voltaram para o Pedrinho, que, sentindo-se na obrigação de retribuir, assim se expressou:
 
- REALMENTE, ME PASSEI. NÃO TENHO DÚVIDAS, SOU A ALMA GÊMEA DA MARLENE -
 
Estabeleceu-se - ao natural - um canal de comunicação entre os dois (como um blog a céu aberto) em assuntos, desde que não de fórum íntimo, para alegria de parentes e amigos.
 
Dia desses o pedido que todos ansiosamente aguardavam:
 
- QUERIDA MARLENE, QUER CASAR COMIGO? -
 
A resposta da feliz pretendida Marlene, não tardou:
 
-SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM, SIM...MIL VEZES, SIM –
 
Passados seis meses, convites para o casamento dos dois (em textos idênticos) tanto no carro do noivo quanto da noiva.
 
Casados, daí para frente tudo nos conformes. Felicidade geral e irrestrita. Pessoas inteligentes, honestas e trabalhadoras tendem, por merecimento, a só progredirem.
 
Quase completando um ano de casados, Marlene sente os bem-vindos sintomas de enjôos, para felicidade de todos. Dizeres nos respectivos carros:
- FAMÍLIA AUMENTADA À VISTA! –
 
Após o nascimento da primogênita Ana Clara, é anunciada a próxima chegada de seu irmãozinho, o Carlos Augusto.
 
Assim, foram decorrendo os anos e a vida. Quando perguntam ao nosso casal, como estão, é imediata a orgulhosa e consciente resposta: se melhorar estraga.
 
Quando das bodas de prata, grande satisfação em anunciar seus filhos egressos das universidades, acompanhados de promissores encaminhamentos profissionais.
 
Nos cinquenta anos de exemplar união, questionados sobre quais aspirações gostariam satisfeitas, ncias, pediram um tempo para responderem. Dias depois as exibiam em seus automóveis:
 
- DEUS PERMITA QUE EU JAMAIS VIVA SEM O MEU PEDRINHO (Marlene) –
 
- QUERO A MARLENE SEMPRE AO MEU LADO, SEM ELA MINHA VIDA PERDERIA A RAZÃO DE SER (Pedrinho) -
 
Comoção pela triste notícia dos óbitos dos ilustres Pedrinho e Marlene, atingidos em seu automóvel, numa BR, por outro veículo que trafegava em sentido contrário.
 
Consternados, seus filhos, nora, genro e netos.
Ternas lembranças de que os últimos desejos dos diletos e inesquecíveis Pedrinho e Marlene foram integralmente realizados:
 
- UNIÃO NA VIDA, NA MORTE E POR TODA ETERNIDADE –

Antes se chamava "a gota fria"

A

Pedro Rivera Jaro

Traduzido para o português por Silvia Cristina Preissler Martinson

Já faz vários anos que escrevi algo sobre os incêndios florestais e a influência dos impedimentos ecologistas na limpeza dos montes, sua proibição de cortar espinheiros e ervas daninhas, para facilitar a reprodução de animais selvagens, como a raposa, o lobo ou o javali. O texto se chamava "Espanha em chamas".

Se algum pecuarista ou agricultor precisa podar os espinheiros, antes deve pedir uma autorização, que é concedida com a condição de que, ao realizar a poda, esteja presente um guarda dos organismos criados para a Conservação da Natureza. Como se a Natureza fosse algo inventado pelos ecologistas mais radicais, e as pessoas que durante gerações conservaram nossos montes e campos, não soubessem cuidar deles nem viver deles.

Agora, como consequência da tremenda catástrofe ocorrida há algumas semanas no Levante espanhol, com a chegada da terrível DANA (antes chamada de "Gota Fria"), que resultou na morte de centenas de pessoas inocentes, ocorre-me pensar que isso não é mais do que mais um capítulo do ecologismo radical.

Durante milhares de anos, o ser humano tentou domesticar o mundo que habitamos, na medida do possível. Construiu estradas, cultivou os campos, fez represas e açudes para conter as águas selvagens, entre outras coisas.

Mas agora parece que a humanidade estava errada, que todas as águas devem fluir selvagens pelos seus leitos, para que os peixes não encontrem barreiras no seu livre fluxo. Para isso, nos últimos anos foram demolidas centenas de obras que haviam sido construídas para domar a força bruta das águas e aproveitá-las para irrigação e geração de energia limpa.

Da mesma forma, a limpeza dos leitos fluviais foi abandonada, permitindo o crescimento descontrolado de canaviais e vegetação silvestre, que, quando chega uma enxurrada, como a última, arrasta tudo para as populações, causando as conhecidas destruições e tragédias.

Eu nasci e vivo em Madri, onde passa o rio Manzanares, o "aprendiz de rio", como o batizaram poetas e escritores, mas que, quando fica temperamental, como consequência de chuvas intensas em todas as terras altas ao longo de seu percurso, arrasta enormes volumes de água ao passar por minha cidade.

Para prevenir essas ocasiões, quando eu era criança, lá pelos anos 50, foi realizada a Canalização do Manzanares, com a construção de várias represas reguláveis, que são enchidas e esvaziadas à vontade dos responsáveis municipais pelo controle do rio.

Acontece que, há alguns anos, uma prefeita de Madri decidiu abrir as represas e permitir o crescimento da vegetação no leito. Hoje isso pode nos parecer muito bonito, porque a fauna e a vegetação fluviais são encantadoras, mas pode um dia acontecer o mesmo que ocorreu na região valenciana, e talvez tenhamos que lamentar tragédias semelhantes às de lá.
Se essas tragédias chegarem a acontecer, a quem culparíamos?

Os políticos de diferentes partidos jogariam a culpa uns nos outros, mas, no final, as vítimas, como sempre, são o povo. E como diz o antigo ditado: "Entre todos a mataram, e ela sozinha morreu".

 

MAIS SONHOS, NÃO, POR FAVOR

M

 Álvaro de Almeida Leão

Leonardo, o Leo, atualmente com 27 anos, há algum tempo atrás, para concluir seus estudos, aceitou o convite para morar na capital com seu tio Carlos Augusto, que é casado em segundas núpcias com Maria Clara, mãe da Daniela, a Dani, hoje com 25 anos, a quem o tio a tem como uma querida e amada filha.

      Leo, desde o início encantou-se com o excelente convívio familiar. Sempre bem nos estudos é formado em Administração de Empresas e é atualmente Gerente de Produção numa Indústria de Móveis Planejados, onde começou como auxiliar de serviços gerais. Dani, funcionária da mesma empresa, chefia o Setor de Controle de Qualidade. Faz faculdade de Arquitetura a noite.

      Ano passado, Leo adquiriu um terreno num condomínio em formação, em que há umas vinte casas habitadas, próximo do bairro do tio e ergueu nos fundos um apartamento, onde mora, até construir sua casa principal.

      Quanto à vida amorosa do Leo, algumas namoradas, nada de mais sério. Tem a Dani, como sua melhor amiga e confidente. Igual sentimento compartilha a Dani. Numa ocasião em que eles estavam sem namorar alguém, começaram a sair juntos, um dando força ao outro, daí, ao natural, passaram a se verem com outros olhos. Agora, felizes da vida, estão se namorando.  Logo o aniversário da Dani, em que o novo casal, idealiza uma comemoração especial.

      Algo incomoda o Leo: seguidamente sonha com ações do dia-a-dia envolvendo seus familiares. Sonhos que sempre se realizam.

      Nos primeiros sonhos Leo escolhia aqueles de prenúncios desagradáveis e tentava, em vão, junto aos seus familiares, ações  contrárias as que poderiam acontecer, não obtendo êxitos.

      Saber o futuro, não está com nada, pra ninguém. Muitos até adoeceriam ou morreriam antes mesmo da hora. Para nosso bem, é imprescindível ignoramos o que  acontecerá no próximo segundo.

      Leo gostaria e muito que não ocorressem mais desses sonhos. Sente-se incomodado  a ponto de, numa hora dessas  até adoecer.  Sendo assim roga aos céus: mais sonhos, não, por favor.

      Não obstante esse apelo, ocorreu, faltando dois meses para o aniversário da Dani, o mais preocupante dos sonhos: o de que não haverá comemoração do aniversário da Dani Foi um tiro no pé, Leo  simplesmente desmoronou.

       Nada disse a Dani, sobre o sonho, apenas questionou sobre a saúde dela, mesmo sabendo boa. Ainda verificou as possibilidades de acidentes quer no trabalho quer em sua casa, tudo normal. Passou a levar e buscar de carro a Dani na Faculdade.

      Apesar da realização, até agora, de todos os seus sonhos, a esperança do Leo é a do adágio popular de que toda regra há exceção.  Mas, será que há mesmo?!... Tomara, mil vezes tomara.

      Sua vida tem sido bem conturbada. Desagradável até. Não há um dia em que não pense, mas por quê isso? Emagrece a olhos vistos. Sente-se tonto, sem apetite e com insônias.

      Na sexta-feira à noite, véspera do aniversário da Dani, o Leo esteve na casa da amada, até bem tarde, tratando dos preparativos do aniversário. Dani achou-o muito tenso e nervoso, pensou ser o resultado das últimas semanas de afazeres nos preparativos do aniversário.Despede-se, afirmando que, no outro inesquecível dia, virá se encontrar com ela pelas dez horas, do dia seguinte.

      Em casa, Leo, exausto não está conciliando o sono.  Pensa quando esses malfadados sonhos irão parar? Quando meu Deus? Aguentar tudo isso não está sendo nada fácil.

      Na manhã de tão esperado dia do aniversário a Dani recebe em sua casa um buquê de flores do campo, com uma bela e singela declaração de amor eterno, do amado Leo. Dani é só felicidade.                                

      Passados trinta minutos das dez horas, Leo não aparece e não atende o telefone, então a Dani e seus pais resolvem ir até a casa dele.No condomínio se identificam e transmitem para os funcionários da portaria suas apreensões. Condôminos que se encontravam lá papeando. após caminhadas se oferecem para acompanhá-los, um deles é o médico doutor Aldo. No percurso o doutor Aldo ao passar por sua casa, pega sua valise de trabalho.  

      Chegam à casa, chamam atenção o chuveiro ligado e em particular a água fluindo pela soleira da porta. Como têm as chaves da casa, abrem-na. O tio e o médico vão na frente. Encontram o Leo caído no banheiro, com um corte e um hematoma na cabeça.

      - Oi tio, oi doutor Aldo que bom que vieram-diz o Leo. Caí quando vim tomar banho. Estou sem forças pra me levantar. Como está a aniversariante a minha amada e querida  Dani?

       Nesse instante mãe e filha em convulsivos choros chegam onde se encontra o Leo, uma se apoiando na outra, a tempo de ouvirem o que o Leo dissera.

      - Estou aqui amado meu. Tudo vai passar. Logo estarás bem, se Deus quiser.

      Leo é conduzido até o quarto. Doutor Aldo afere seus sinais vitais, administra os primeiros socorros não o permite dormir e o argui com perguntas que exigem raciocínios lógicos. Logo que o Leo melhora aconselha que ele vá para um hospital.  Doutor Aldo, faz questão de o leva em seu automóvel, junto seus tios e a Dani.

      Mais uma vez a constatação de um sonho que se realiza, não haverá comemoração do aniversário da Dani.

      Ainda no hospital, mais um sonho: a promessa de que nunca mais ocorrerão sonhos com familiares, nos moldes de antes  e o principal, que fez com que  se sentisse  um homem  plenamente realizado: casará com a Dani e a vida será só felicidade.  

      Após dez dias de intenso e dedicado tratamento hospitalar, Leo  está voltando para casa cercado de todo carinho dos tios e bem abraçadinho com a sua amada Dani. Exultante de gratidão e alegria pela dádiva de amar a Dani hoje e sempre e por toda a eternidade.

Cinco dias em Florença

C

Pedro Rivera Jaro

Traduzido ao português por Sílvia C.S.P. Martinson
Maravilhosa cidade de Florença. Chama-me a atenção que seu aeroporto seja pequeno, mas, claro, venho do Aeroporto Adolfo Suárez de Madrid-Barajas, mais especificamente de sua Terminal 4, cujas enormes dimensões me lembram o Aeroporto de Atlanta, nos Estados Unidos. No entanto, é um aeroporto bastante movimentado, dado o grande número de turistas que visitam esta pequena cidade. Estima-se que cerca de um milhão e meio de visitantes por ano chegam para se maravilhar com as inúmeras obras de arte que enchem suas ruas, praças e museus.

Também me chama a atenção que os próprios guias turísticos, que nos explicam as obras de arte de Firenze, como a chamam os italianos, comentem que os florentinos são bastante orgulhosos no trato com os estrangeiros. Percebi que isso é verdade. Eles têm motivos para tal orgulho, mas considerando que uma parte importante de sua renda vem do turismo, talvez devessem corrigir um pouco essa postura e ser mais amáveis. Contudo, devo ressaltar que há exceções.

Minha narrativa teria que ser necessariamente muito longa para explicar as maravilhas que Florença guarda, mas esse não é meu objetivo. Pretendo apenas despertar seu interesse em conhecê-la, e para isso, basta, quase com certeza, traçar algumas pinceladas de seus principais monumentos e algumas das lendas que circulam entre seus habitantes.

Graças ao mecenato de várias gerações da família Médici e à disposição de sua última representante, Anna Maria Luisa, que garantiu que o patrimônio artístico dos Médici fosse preservado em Florença e não pudesse ser retirado da cidade, podemos hoje visitar e admirar as obras de Donatello, Tacca, Botticelli, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Brunelleschi, Alberti, Ghiberti, Giorgio Vasari, Masaccio e muitos outros.

A família Lorena herdou o patrimônio dos Médici, mas antes teve que assinar um acordo garantindo a permanência de todas as obras de arte em Florença. Quando tomaram posse da herança, tornaram-se benfeitores desse patrimônio artístico, transformando a Galeria Uffizi, que era apenas um depósito de obras de arte, em um verdadeiro museu, como o conhecemos hoje.

Falando sobre os Médici, há uma lenda acerca das cinco bolas que fazem parte de seu brasão heráldico. Segundo nossa guia turística, elas representam cinco cabeças de papoula.

Parece que os Médici estavam envolvidos no comércio de seda chinesa. Uma vez por ano, chegava ao porto um navio carregado de seda, e havia um leilão entre os dois principais comerciantes de Florença. Conta a lenda que, na véspera do leilão, os Médici convidaram os membros da família concorrente para um jantar em sua casa e, durante a refeição, misturaram ópio extraído das papoulas, também trazidas da Ásia, às bebidas servidas. Como resultado, os concorrentes caíram em um sono profundo e perderam o leilão, permitindo que apenas os Médici participassem e obtivessem enormes lucros que impulsionaram sua riqueza.

Diz-se que, a partir desse episódio, ganhou força entre os comerciantes a sentença "NESSUN DORMA" (Ninguém durma), indicando que nos negócios ninguém deve relaxar, pois isso pode trazer prejuízos.

Mais tarde, os Médici entraram no setor bancário e, graças à amizade com o Papa em Roma, administraram as finanças do Vaticano por muitos anos. Porém, ao conquistar Siena, que era uma possessão papal, o Papa transferiu as finanças para um banco rival dos Médici.

Não posso deixar de mencionar que houve quatro papas da família Médici e duas rainhas, o que demonstra seu grande poder.

A moeda de Florença, o Florim de Ouro, foi a moeda universal de sua época, equivalente ao dólar ou ao euro em nossos dias.

Muitas pessoas já ouviram falar de Michelangelo Buonarroti, o criador da escultura de Davi, uma obra de arte maravilhosa cujo original podemos admirar na Galeria da Academia. Mas o que muita gente desconhece é que Pietro Torrigiano, a quem Michelangelo insultava por assinar obras consideradas muito ruins, quebrou o nariz dele com um soco poderoso.

Esse incidente levou ao exílio de Torrigiano, que foi morar em Sevilha. Lá, ele deixou obras de sua autoria que hoje podem ser vistas no Museu de Belas Artes da cidade.
Uma cópia do Davi pode ser admirada na extraordinária Piazza della Signoria, em frente ao Palazzo Vecchio.

Chamou-me poderosamente a atenção a afirmação feita pelo nosso guia de que Michelangelo escolhia o bloco de mármore "adivinhando" a escultura que havia dentro dele. Penso que, tratando-se de um modelo com tamanha beleza e perfeição física, o artista deve ter retratado na obra um homem por quem estava apaixonado, sobretudo considerando que ele era homossexual. Foi um prazer ouvir nossa guia explicar as particularidades do Davi, como, por exemplo, a tensão mantida em seu corpo, preparado para disparar a funda semioculta em suas mãos, cujas correias cruzam suas costas para que Golias não as perceba. Essa mesma tensão é visível em seu semblante concentrado, indicando a espera tensa que antecede o ataque do caçador à sua presa.

Na mesma Piazza della Signoria, além do Palazzo Vecchio, podemos observar a Loggia dei Lanzi ou della Signoria, próxima à Galeria Uffizi. O nome "Lanzi" deriva das lanças portadas pelos guardas suíços que protegiam o local. Quero destacar duas esculturas que podemos admirar ali: "Perseu com a cabeça da Medusa" e "O Rapto das Sabinas", também conhecida como "O Rapto da Sabina".

Outro ponto curioso está próximo à Torre do Campanário de Giotto, perto da Catedral e do Batistério de São João, com as Portas do Paraíso de Ghiberti. Trata-se de um edifício com um pórtico em sua extremidade, conhecido como Bigallo. Ali eram deixadas as crianças abandonadas, para que alguém as recolhesse e adotasse. Mais tarde, foi criado um orfanato no edifício vizinho, também chamado Bigallo.

Não vejo como evitar que esta narrativa se alongue, pois as maravilhas de Florença são tantas que é difícil ser breve.

Outro ponto interessante é a Fonte do Porcellino, localizada junto à Loggia del Mercato Nuovo. Nela, há uma estátua de um javali adulto, popularmente chamado de "Porcellino" (leitão). Desde pelo menos 1640, os aguadeiros enchiam seus cântaros nessa fonte. A tradição diz que, ao deslizar uma moeda pelo focinho do javali e se ela cair na grade, você retornará a Florença. A estátua original, de um javali de mármore, é grega e está na Galeria Uffizi. A cópia de bronze, presenteada pelo Papa Pio IV aos Médici, foi transformada em fonte por Fernando II de Médici. Algo curioso é que, ao beber da água, parece que você está beijando o javali. O focinho e a orelha estão polidos pelo toque de tantas mãos ao longo do tempo.

Não seria justo encerrar sem dedicar um parágrafo à Galeria Uffizi, uma das joias da coroa de Florença. Nela, podemos encontrar um verdadeiro "royal flush" da arte, começando com o Nascimento de Vênus, de Botticelli; o Tondo Doni, de Michelangelo, que é a única pintura de cavalete feita por ele; a Anunciação, de Leonardo da Vinci, com sua perspectiva inovadora; a Vênus de Urbino, de Ticiano; e a Virgem do Pintarroxo, de Rafael. Além disso, destacam-se a Sala de Nácar, o Baco, de Caravaggio, e centenas de outras obras.

Recomendo também visitar o Museu da Opera del Duomo, que inclui a Pietá Bandini, de Michelangelo, a Maria Madalena, de Donatello, e a Porta do Paraíso, de Ghiberti, além da Piazza della Repubblica, o Arco do Triunfo e o Carrossel.

Outros imperdíveis são o Cinema Odeon, no Palazzo Strozzino, a Igreja de Orsanmichele, a Igreja de Santa Croce, onde estão os túmulos de Michelangelo, Galileo, Maquiavel e Dante Alighieri, o Museu Galileo, a Ponte Vecchio e o Palácio Pitti, no bairro de Oltrarno, com os Jardins de Boboli.

No bairro de Oltrarno, ao lado do Palácio Pitti, encontramos os Jardins de Boboli, onde há uma fonte peculiar com duas pequenas cabeças meio submersas em água fresca e quase gelada que brota de um pequeno tubo. Foi impossível resistir à tentação de beber dessa água até saciar minha sede. Também visitamos a Grotta Grande, onde estão as estátuas de Helena e Páris, representando o castigo infernal para os adúlteros, um tema carregado de simbolismo.

Ainda recomendaria visitar o Museu de Leonardo da Vinci, com suas invenções, a Igreja de Santa Maria Novella, que abriga o Crucifixo de Brunelleschi, e a histórica Farmácia de Santa Maria Novella. Outros locais imperdíveis são o Palácio Medici-Riccardi, repleto de história, e a mítica Ponte Vecchio, a ponte mais antiga da Europa e a única que sobreviveu à destruição pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

A Ponte Vecchio tem uma história fascinante. Originalmente ocupada pelos açougueiros, que despejavam restos no Rio Arno, foi transformada pelos Médici em um espaço para joalheiros. O Corredor Vasariano, um passadiço elevado que conecta o Palácio Pitti ao Palácio Vecchio, foi construído para permitir que a família Médici se deslocasse sem contato direto com as ruas, garantindo sua segurança.

Além disso, ao explorar o bairro de Oltrarno, você encontrará não apenas o Palácio Pitti e os Jardins de Boboli, mas também muitos tesouros menos conhecidos, como pequenas igrejas e praças com uma atmosfera única que parece transportar você no tempo.

E como poderia deixar de mencionar a experiência no Museu Galileo, localizado no Palácio Castellani, onde estão expostos instrumentos científicos e achados que destacam a rica história da ciência em Florença? Ou ainda, a impressionante Igreja de Santa Croce, onde descansam figuras históricas de renome, como Michelangelo e Galileo, sob lápides artisticamente decoradas?

Finalmente, Florença oferece uma combinação única de arte, história e cultura. Recomendo enfaticamente uma visita a essa cidade, que verdadeiramente merece toda a sua fama.

Mas não posso encerrar este relato sem sugerir uma excursão à cidade vizinha de Pisa. O esplendor de sua famosa Torre Inclinada, junto à Praça dos Milagres, é algo que ficará gravado na memória de qualquer visitante para sempre.

Arrivederci, Florença, esta cidade luminosa que cativou minha alma e onde cada esquina guarda uma nova maravilha a ser descoberta.

 

Pediu, levou

P

ALvaro de Almeida LeÃo

Estamos na madrugada de uma segunda-feira, dia 14. O Ernesto Anthunes de Barcellos Pereira está pensando ganhar uma grana alta em quaisquer das modalidades de jogos de apostas existentes.
 
Como não se considera uma pessoa sortuda, acha que só um verdadeiro milagre faria com que ficasse milionário, assim, da noite para o dia, como, por exemplo, ter em suas mãos um exemplar do jornal que será editado na segunda-feira da próxima semana – dia 21. Fonte dos resultados dos jogos,
 
Nisso, como num passe de mágica, Ernesto Anthunes vê bem a sua frente, nada mais nada menos que o jornal que desejou possuir: o da segunda-feira vindoura.
 
De início não acreditou no que estava vendo. Passado o primeiro impacto, sorrateiramente começa a se aproximar do bendito jornal, e, em segundos, o tem em suas trêmulas mãos. Por instantes se lembra de agradecer o seu desejo atendido, a quem quer que seja o responsável. Faz alguns exercícios de respiração, a fim de que seu estado ofegante melhore um pouco que seja.
 
Começa a imaginar que daqui a pouco estará sabendo todo o necessário para se tornar, sem sombra de dúvidas, um novo rico. Antegoza os prazeres mil que irá desfrutar.
 
Enfim, menos tenso, inicia a leitura daquele inusitado e único jornal em toda face da terra, à mercê do seu manuseio.
 
De imediato vai à página que traz todos os resultados das diversas modalidades das loterias de números. Na principal das loterias, a de seis números, em virtude do grande número de apostas, fica sabendo que até o fechamento da presente edição, não foi apurado se houve acertadores. Ainda, consoante o resultado - cinco dos seis números em sequência - presume o jornal, com quase absoluta certeza, que o prêmio acumulado há oito semanas, assim permanecerá.
 
Ledo engano - pensa faceiro o Ernesto Anthunes. É natural já se considerar o único acertador.
 
Após a notícia de que acertou todos os jogos de que participou, pensa o Ernesto Anthunes que, por certo, será tema de reportagens no mundo inteiro. Indagações e afirmações as mais curiosas, entre outras: Força superior? Que tipo de fenômeno foi esse? O impossível aconteceu? Quem se habilita a explicar? Casas lotéricas, de agora em diante, proíbem, terminantemente, apostas do Ernesto Anthunes.
 
Sente-se entrevistado por todas as redes de rádio e televisão de todo o planeta. De certo convites para conferências. Centros científicos interessados no estudo do que, à luz da ciência, poderá ter acontecido. Capas de revistas. Enfim, a autêntica e merecida celebridade.
 
Envolto em toda essa emoção, é normal, mais e mais, nervosismo. Começa a suar frio. Sente que precisa reagir. Resolve então colocar o jornal de lado, por alguns minutos e só repousar, nada mais.
 
Enfim, mais aliviado, deixa-se levar, pelos fantasiosos pensamentos. A cada momento a sua vida modifica-se em todos os sentidos: maneira de ser, hábitos, tudo regado a prazeres e mais prazeres.
 
Descança um pouco Após sentir-se em condições, volta a ler. Na primeira página, as manchetes boas e ruins. Regozija-se pelas primeiras. Lamenta-se pelas últimas.
Em seguida encontra o noticiário político. Detém-se mais nos títulos dos assuntos. Logo às páginas das notícias internacionais, apenas toma conhecimento do que lhe chama mais atenção.  Mais adiante, depara-se com o que ocorre no mundo do crime. Choca-se com os desajustes cada vez mais insensatos. Não concebe como o mundo pode ser tão cruel. Enfim é a vida..
 
Nas páginas culturais, Inteira-se dos lançamentos dos novos livros. Nas notícias esportivas, vibra com a vitória de seu time de futebol, com um gol aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo.
 
Outra página. Chamam atenção os anúncios com letras em destaque e em negrito dos que deixaram esta vida. Resolve ver se encontra alguém que tenha sido seu conhecido. Dos primeiros nomes nunca ouviu sequer falar. Ao se fixar no penúltimo anúncio, horroriza-se, apavora-se, sente estar a um passo da loucura. Seu coração quase lhe salta pela boca. Balbuciando, com a voz trôpega, lê:
Convite para missa de 7º dia. A família do sempre lembrado ERNESTO ANTHUNES DE BARCELLOS PEREIRA agradece sensibilizada aos parentes e amigos que compareceram aos seus atos fúnebres e aos que, de uma ou outra forma, manifestaram seu pesar e convida para a missa de 7º dia em sua intenção, a ser celebrada hoje, dia 21, segunda-feira, às l8h00 na Igreja Matriz. Antecipadamente agradece pelo comparecimento.
 
Ernesto Anthunes mal acabou de ler, num lance de extrema dor e agonia, deixa escapar um estridente grito de terror, ao mesmo tempo em que a sua cabeça e seu corpo inertes pendem para o lado.

Dona Chiquinha

D

Alvaro de Almeida Leão

Ariovaldo, recém chegado a uma pequena cidade do interior, no trago, como sempre, ia passando, outro dia, por uma rua, quando uma pequena multidão dentro de uma casa, lhe chamou atenção. Curioso, indaga da primeira pessoa com quem se depara.
- Oi, qual o motivo desta festiva reúna?
- Festiva não, bem ao contrário. Estamos velando a professora dona Chiquinha, que, infelizmente, morreu.

- O quê?!...A professora dona Chiquinha, morreu. Mas, como? Não pode ser. Me nego a acreditar.

Dito isso, cai no choro com vontade, alto e com elevado sentimento. Chama a atenção de todos, tanto que familiares da falecida, penalizados com a cena, convidam-no para entrar. Este, não se faz de rogado e em instantes, começa a tentar interagir com as demais pessoas. .

Tempo de rigoroso inverno, frio de renguear cusco. Estão sendo franqueados: sanduiches, cafezinhos, conhaque, vinho, quentão e a nossa tradicional cachaça.

Ariovaldo, indagado sobre sua preferência, nem titubeia:
- Longe de mim a intenção de causar incômodo..Mas já que insistem, com todo esse frio, aceito umas cachacinhas, com todo respeito e consideração, numa boa, no capricho.
Assim se depreende, foram servidas seguidas doses da purinha e na medida em que o Ariovaldo as consumia, mais se embriagava causava pertubação..Ante tão insustentável situação, alguém diz ao Ariovaldo, ainda que não seja verdade, que a cachaça acabou. Ao ouvir tão nefasta notícia Ariovaldo desejou ir embora não sem antes se despedir da falecida.

Diante da Dona Chiquinha, aos prantos, desabafa:
-Querida e amada, dona Chiquinha! Como pode ter acontecido uma desgraça dessa com a senhora? Como, meu Deus?! Como?
Abraça-se ao caixão soluçando com tanto vigor que este está preste a se deslocar dos cavaletes.

Algumas pessoas passam a cuidar dos dois; da defunta e do Ariovaldo, para que nenhum venha a cair. O que seria um senhor vexame.
Familiares da dona Chiquinha se revezam em tentar identificar melhor, o inconsolado Ariovaldo e indagavam:
- O senhor, também, é parente de dona Chiquinha?
- Não, eu não sou parente da dona Chiquinha.
- Alguma época foi aluno da dona Chiquinha?
- Não, eu nunca fui aluno da dona Chiquinha.
- Então de certo alguma vez vizinhou com a dona Chiquinha.
- Não eu nunca vizinhei com a dona Chiquinha e pra bem da verdade eu confesso, até então, não conhecia a dona Chiquinha.
- Então, seu Ariovaldo, o senhor não sendo parente da dona Chiquinha, não tendo sido seu aluno ou vizinho e, principalmente, nem sequer a conhecendo,porquê de tanto choro?.
- Por. agora mesmo. um desmancha prazer, está me dizendo que a danada da purinha acabou. Então, sendo assim, só me resta chorar, chorar, e chorar copiosamente.
Foi a gota d’água!. Convidado a retirar-se, Ariovaldo sai seco pra beber mais e mais.
Tal situação, infelizmente é o que acontece, já há algum tempo.com o Ariovaldo, Um dia, quem sabe, uma alma nobre poderá ajudá-lo a sair dessa e que seja o quanto antes.

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