Vera Salbego
No canto da sala, silenciosa e amiga,
A máquina de escrever guarda histórias antigas,
Teclas que dançam com o toque dos dedos,
Versos nascem, libertos, em suaves enredos.
Tinta que flui como a vida em papel,
Ritmo de um coração que não quer ficar só,
Em cada claque, um sonho se revela,
Sussurros de um autor, suas almas em prosa.
O cheiro do papel, a textura do ferro,
Um mundo de ideias brotando em mistério,
Com seu carro que anda, vamos longe,
Por mares de letras, onde a imaginação é fôlego.
A luz do sol atravessa a janela em sombras,
E a máquina esperta, em seu modo antiquado,
É um portal ao passado, um eco de épocas,
Cada linha impressa, um sussurro enredado.
Ora, quem escreve cartas de amor e dor,
Quem guarda segredos nas linhas da flor?
Minha máquina, poetisa que não se cansa,
Com você, os pensamentos dançam à estança.
E quando a noite afunda seu manto profundo,
Continua a escrever, a tecer o imundo,
A poesia que flui entre engrenagens e letras,
Um exato momento, onde a alma se entrega.
Assim, minha máquina, fiel companheira,
Neste universo de papel, és minha bandeira,
Contigo, desvendo os mistérios da vida,
E em cada batida, uma nova saída.

