Minha Máquina de Escrever

M

Vera Salbego

 

No canto da sala, silenciosa e amiga,
A máquina de escrever guarda histórias antigas,
Teclas que dançam com o toque dos dedos,
Versos nascem, libertos, em suaves enredos.

Tinta que flui como a vida em papel,
Ritmo de um coração que não quer ficar só,
Em cada claque, um sonho se revela,
Sussurros de um autor, suas almas em prosa.

O cheiro do papel, a textura do ferro,
Um mundo de ideias brotando em mistério,
Com seu carro que anda, vamos longe,
Por mares de letras, onde a imaginação é fôlego.

A luz do sol atravessa a janela em sombras,
E a máquina esperta, em seu modo antiquado,
É um portal ao passado, um eco de épocas,
Cada linha impressa, um sussurro enredado.

Ora, quem escreve cartas de amor e dor,
Quem guarda segredos nas linhas da flor?
Minha máquina, poetisa que não se cansa,
Com você, os pensamentos dançam à estança.

E quando a noite afunda seu manto profundo,
Continua a escrever, a tecer o imundo,
A poesia que flui entre engrenagens e letras,
Um exato momento, onde a alma se entrega.

Assim, minha máquina, fiel companheira,
Neste universo de papel, és minha bandeira,
Contigo, desvendo os mistérios da vida,
E em cada batida, uma nova saída.

Sobre el autor/a

Vera Salbego

professora, escritora e poetisa. Possui graduação em Letras, pós-graduação em Psicopedagogia e mestrado em Literatura Latina, com diversas obras publicadas em Antologias Nacionais e Internacionais .É autora de doze livros, incluindo "A Formiguinha Valente", "Uma Pequena História de Duendes" e "Fragmentos de Palavras" (que abrange poesias, crônicas e contos). Além disso, é membro honorário de diversas academias no Brasil e no exterior. Vera Salbego começou a escrever na década de 1980, quando lançou seu primeiro livro. Escreveu três Prefácios de Livros de autores gaúchos e também fez a crítica literária do livro Úmida Humeda da escritora Lilian Rocha. Patrona da 32 Feira do Livro de Guaíba RS em maio de 2025

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