O pão nosso de cada dia

O

SIlvia C.S.P. Martinson 

“Como cresce uma rosa entre paralelepípedos.
Como floresce um cacto no deserto.
Assim resiste a alegria entre explosões.
Assim triunfa a vida entre os mortos.”
 
Caminhando pela manhã, como normalmente faço, observando a Natureza e os homens e mulheres que passam, muitas vezes alheios a tanta beleza que nos envolve, fiquei a ver e a pensar...
 
O Sol brilha intensamente refletindo na água seus raios, sua luz.
 
Luz esta que nos aquece, envolve e permite que a vida se manifeste em todo seu esplendor.
As gaivotas pousadas nas águas tranquilas, buscam nelas seu sustento, não se apuram, pacificamente aguardam o que a natureza lhes possa ofertar. Após o que, alçam o voo e no céu azul perdem-se em bandos, rumo a outras paragens, talvez seus ninhos, certamente seu lar.
 
Vêm-se no horizonte os barcos que seguem seu destino e nele e desaparecem. O que carregam, o que buscam? Tampouco o sabemos.
 
Pessoas caminham pela calçada que circunda a praia.
 
Praia esta onde as ondas se derramam suavemente na placidez desta manhã, emitindo sons que nos fazem sentir como que embalados nos braços de nossas mães.
 
E as pessoas continuam andando, algumas juntas outras solitárias.
 
As observo e ouço, de algumas, suas vozes, suas conversas, suas histórias.
Falam de suas vidas, de seus anseios, de suas dores, de sua saúde e de seus amores.
 
Outras seguem solitárias em seu caminhar e me pergunto: o que estarão a pensar?
 
A algumas, ainda, as vejo e as ouço a falar mal da vida e de outras pessoas, a cuidar do que estão a conversar e alheias, sem perceberem, a intenção destas  que querem envolver-se em problemas que não lhes dizem respeito.
 
Há uma grande quantidade de gente, percebo, envolvida com seus celulares (telefones) sem prestar a mínima atenção ao que se passa ao seu derredor.
 
Veio-me à cabeça a tão famosa frase: ...”O pão nosso de cada dia ganharás com o suor de teu rosto.” 
 
Todos os homens em sua grande maioria, em que lugar da Terra que se encontrem, observam o princípio acima mencionado.
Infelizmente apesar de muitas vezes o conseguirem, os homens, por incrível, através de guerras e destruição de lares, cidades e populações, causam miséria e fome. 
 
Em realidade ainda somos muito primários no conceito do que é amar.
 
Por que não levantamos o olhar para encarar frente a frente às benesses que recebemos de poder viver, experienciar e apreciar a beleza em todas as suas formas em que nos é ofertada, em cada dia que nasce e em cada dia que anoitece, quando o céu se tolda cheio de estrelas e eventualmente a Lua se mostra em seu máximo esplendor?
 
Ou quem sabe visualizar nas tormentas, que inundam as terras ressequidas, a oportunidade de voltarem plantas a renascer e florescer em toda sua magnificência?
 
Este é o pão nosso de cada dia que recebemos e muitas vezes não vemos e não sabemos agradecer.
 
E assim caminhando lentamente e pensando volto a minha casa, ao meu lar, ao meu mundo.
 
Lentamente. Lentamente...

Sobre el autor/a

Silvia Cristina Preissler Martinson

Nasceu em Porto Alegre, é advogada e reside atualmente no El Campello (Alicante, Espanha). Já publicou suas poesias em coletâneas: VOZES DO PARTENON LITERÁRIO lV (Editora Revolução Cultural Porto Alegre, 2012), publicação oficial da Sociedade Partenon Literário, associação a que pertence, em ESCRITOS IV, publicação oficial da Academia de Letras de Porto Alegre em parceria com o Clube Literário Jardim Ipiranga (coletânea) que reúne diversos autores; Escritos IV ( Edicões Caravela Porto Alegre, 2011); Escritos 5 (Editora IPSDP, 2013) y en español Versos en el Aire (Editora Diversidad Literaria, 2022)
Participou de concursos nacionais de contos, bem como do GRUPO DE ARTISTAS E ESCRITORES DO GUARUJA — SP, onde teve seus poemas publicados na coletânea ARAUTOS DO ATLANTICO em encontros Culturais do Guarujá.

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